Entre o toque e a memória, Rosana Erci escuta a argila. Nascida no Vale do Ribeira, no Brasil, e com formação em gravura, sempre foi atraída pela textura e pelos vestígios do tempo.

Na cerâmica, encontrou o terreno ideal para unir técnica, memória e invenção, criando a Acordelado Contemporâneo — um diálogo entre tradição e experimentação.

Seu processo começa com lâminas frágeis e finas de argila, pressionadas com rendas e crochês herdados de sua mãe, avó e amigas. Esses padrões carregam histórias silenciosas, impressas não apenas pelo peso do rolo, mas também pelo peso da memória. Ela fragmenta essas impressões e as recompõe em formas irregulares e orgânicas, como lembranças que se reorganizam ao longo do tempo.

As cores são contidas — engobes, underglazes e esmaltes foscos — permitindo que forma e textura sejam protagonistas. A queima em alta temperatura confere força a obras que ainda parecem pairar à beira do sopro.

Em cada peça, passado e presente se entrelaçam. O trabalho é meditativo, mas vivo; contemplativo, mas pulsante. “Eu moldo a argila, mas ela também me molda”, diz ela.

Nas mãos de Rosana, a cerâmica é mais do que objeto: é um lugar onde matéria, memória e emoção se encontram — e permanecem.